Grécia. A saída do euro não será feita “a régua e esquadro”

kountouris09-07-15

Nunca há bons momentos para uma ruptura, nunca há condições óptimas para uma revolução, uma saída do euro da Grécia nunca será fácil.

Movimentos desta magnitude geralmente acontecem empurrados pelas forças das circunstâncias e porque há contradições insanáveis que impossibilitam a hipótese da implementação de uma solução de compromisso sustentável. Raramente estas rupturas são fruto de um plano detalhado e meticuloso, aplicado em situações de estabilidade politica-social e económica.

É neste turbilhão em que não há soluções óptimas que temos de navegar e tomar partido pelas opções/decisões que mais potencial de resolver a crise de uma forma emancipatória têm! Sendo que não há nenhuma garantia de sucesso assegurada.

O que existe é a certeza que a “conciliação” neste momento é uma ilusão. Conduzirá a uma muito maior depressão económica e social, conduzirá a uma divisão profunda no Syriza e só poderá ser imposta em cima de um Syriza purgado da sua ala esquerda e de qualquer veleidade de alternativa ao neo-liberalismo. Terá de ser imposta sobre um movimento social esmagado e conduzirá a uma enorme desmoralização dos 70% das classes populares que disseram Não a este acordo no referendo. Abrirá portas a um neo-liberalismo ferozmente autoritário dentro da UE, ou até soluções mais tenebrosas…

O confronto e as decisões duras são inevitáveis neste contexto. Ao menos que sejam adoptadas medidas que possam abrir novos horizontes de esperança e permitam superar a crise de forma progressista! O que neste momento é impossível sem alguma dose de medidas revolucionárias.

UPDATE: Ontem poucas horas após escrever este texto houve violentos confrontos entre a polícia e manifestantes, com cerca de 40-50 detidos. Várias das vítimas da resposta violenta da polícia foram militantes e sindicalistas do Syriza.

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2 respostas a Grécia. A saída do euro não será feita “a régua e esquadro”

  1. Miguel Felner Paula diz:

    O líder da Plataforma esquerda, o Lafazanis, disse ” We carry on with a united Syriza. Nobody is against the governmentt. We are against austerity.”

    • Francisco diz:

      Faz muitíssimo bem, a estratégia da Plataforma de Esquerda parece-me correctíssima tal como está +- delineada na recente entrevista a Kouvelakis (uma peça de imprescindível leitura).
      https://www.jacobinmag.com/2015/07/syriza-debt-tsipras-left-platform-kouvelakis/
      Há que dar batalha contra este acordo dentro do próprio Syriza, existe a forte possibilidade destas política de capitulação sem sentido ser derrotada no Syriza. O Syriza deve ser ganho para a luta contra este acordo e para ser portador de uma alternativa a esta barbárie, em oposição ao actual governo que está a tomar decisões à revelia do próprio partido! Ou seja, o Syriza não deve ser deixado aos traidores renegados, deve ser reconquistado. O mesmo se passa no Governo se o Tsipras e a sua pandilha usurpadora quiser terá de expulsar Lafazanis. Até isso acontecer Lafazanis deve permanecer no posto e usar todos os poderes ao seu alcançe para impedir as privatizações e toda a barbárie neo-liberal que Tsipras quer implementar na Grécia.

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