Combater o Bloco Central

Analisar sondagens é sempre um exercício difícil. O que se pode apresentar relativamente a elas é sempre uma teoria como outra qualquer, sem especial fundamentação, pouco acima do palpite. O que a seguir se escreve, e que justifica um apelo ao voto, assenta nesta premissa. O autor admite vir a ser surpreendido, pese embora achar que o que diz abaixo tem correspondência com a realidade e retrata devidamente a dinâmica em curso.

Três aspectos parecem ser fáceis de prever relativamente ao dia 5 de Outubro: nenhum partido terá tido maioria absoluta; o partido mais votado terá de formar um Governo de coligação; as alternativas serão poucas. Mesmo que, como parece ir acontecer, vários deputados de novos partidos (Livre, PDR, eventualmente PCTP/MRPP) entrem para o parlamento, não serão em número nem em peso suficiente para completar uma maioria absoluta nem do PS, nem do PSD. As soluções serão escassas: ou são eleitos nas listas da PaF deputados suficientes so CDS para formarem Governo com o PS, ou o Bloco Central vai ser a consequência natural destas eleições.

Que observou o processo grego e o desmoronamento do PASOK (processo em que surgiu até uma palavra nova, “pasokização”) sabe que os Blocos Centrais podem ser desastrosos para o aparelho partidário da burguesia. Obviamente, o aparelho partidário burguês, geralmente bicéfalo e de regeneração fácil – lembram-se do PRD? -, é um inimigo materialmente pouco influente. Mas é um inimigo que também tem de ser derrotado. E forçar o Bloco Central, guinando a oposição para a esquerda, para o PCP e o BE, é neste momento a melhor forma de assegurar a erosão desse aparelho partidário, ao mesmo tempo que se faz trabalho na frente de massas.

Militante do PCP, apelo por isso ao voto na CDU para forçar o Bloco Central e iniciar esse processo. Porque nada esperamos do PS, e porque compreendemos que ele é o esteio fundamental do regime de Novembro, sem cuja derrota nenhum avanço significativo no combate à contra-revolução será possível, nós, aqueles que queremos não apenas livrar-nos deste Governo de desastre mas também do regime antipopular que há cerca de 40 anos nos inferniza a vida, não podemos deixar de apontar ao coração da Besta, contentando-nos em feri-la de lado. Recai sobre nós uma responsabilidade muito importante no próximo dia 4. Votar CDU, contra o PS e a PaF, é saber aproveitá-la.

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