Porque é que apoio a Coligação AGIR-PTP-MAS?

Baseado no discurso proferido aquando da apresentação de candidaturas da Coligação Agir-PTP-MAS na sede do MAS em Lisboa.

Boa noite a todos e todas, em primeiro lugar quero agradecer o convite do MAS para candidato Independente na lista de Lisboa da Coligação. Convite que aceito com muito orgulho.

Porque é que aceitei este convite? Porque é que esta coligação, esta campanha e o seu resultado são tão importantes?

Dizia Umberto Eco em entrevista ao Expresso a propósito da crise dos refugiados “vai acontecer algo terrível antes de se encontrar um novo equilíbrio”, uma frase que diria eu se pode aplicar de forma mais geral aos tempos que correm.

De facto, vivemos numa era de transição em que os equilíbrios do passado e o status quo vigente é insustentável. De uma forma ou outra a economia, sociedade, a política e as próprias fronteiras vão se todas transformar… aliás nós temos visto isso mesmo a acontecer (Ucrânia, Médio-Oriente, Crise, Austeridade…)

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O pano de fundo e principal motor destas transformações é a grande crise que se iniciou em 2008. Uma crise que perdura e que como o recente crash da bolsa Chinesa (e restantes praças financeiras) mostra, pode voltar a intensificar-se. Mais, olhando para esse crash e vários outros indicadores, tudo aponta que vem aí uma segunda vaga da grande crise.

Uma segunda vaga que vai apanhar uma economia e sociedades ainda feridas, sem uma verdadeira recuperação. Mesmo Nos Estados Unidos e Reino Unido (países que tiveram das mais altas taxas de crescimento dos últimos anos) os salários continuam abaixo dos níveis pré-crise. Então de Portugal nem se fala… Entre o interminável rol de estatísticas que podem descrever o que se passou neste país escolho duas:

– Cerca de 400.000 emigraram nos últimos 5 anos,

-O número de trabalhadores ao abrigo da contratação coletiva era perto de 2 milhões em 2008, agora são 260 mil (quase 90% de quebra)

Para lá de todo o sofrimento e esperança despedaçada que estes números revelam, isto aponta para uma sociedade e um mercado de trabalho que sofreu profundas mudanças. Este país e sociedade de 2015 não é a mesma de 2008 e essas mudanças têm de ter uma tradução política, o mapa político partidário não está numa redoma, imune a estas dramáticas transformações.

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Por isso assistimos por todo o lado, nomeadamente na Europa, a um mesmo fenómeno a actuar sobre o mapa político. Um fenómeno caracterizado por duas grandes dinâmicas 1) partidos do centro a recuar, especialmente os Partidos Socialistas ou Social-liberais, 2) reforço de novas forças com mensagens alternativas ao discurso dominante e fortemente críticas da situação actual (algumas destas forças são pré-existentes, mas antes ocupavam um lugar marginal no tabuleiro político).

Isto manifesta-se em diferentes formas e intensidade dependendo da especificidade de cada local, região ou país: Podemos em Espanha, vitória de Corbyn para a liderança do Partido Trabalhista em Inglaterra, a Frente Nacional em França … Ou o grande caso desta primavera Verão, a tragicomédia Grega, que também teve alguns momentos épicos como o referendo. Apesar da traição do renegado Tsipras (nome que para todo o sempre deverá ficar associado à infâmia), estes desenvolvimentos na Grécia foram muito importantes e no global positivos. Primeiro porque a desmoralização e descrédito da Esquerda não parece ser tão forte como alguns chegaram a temer e mais do que isso, porque este processo proporcionou grandes lições.

Lições que muitos já conheciam, mas que são agora claras para sectores mais vastos da população, provavelmente não a maioria, mas certamente muito mais gente do que anteriormente. Destas lições há duas que se destacam:

1) Quanto ao significado do euro e da união europeia, não pode haver ilusões, só há caminho no confronto e em ruptura com este projeto neo-colonial e anti-democrático.

2) Neste momento sem medidas de carácter revolucionário é impossível resolver a crise a favor das classes populares. Qualquer força que queira alcançar novos equilíbrios mais favoráveis, ou tão somente que reponham o equilíbrio entre classes existente há dez anos, tem de estar disposto a liderar e desencadear uma revolução.

Mas estas lições só serão úteis se estivermos dispostos a tirar delas as devidas consequências e implantá-las na prática! È preciso existirem forças no terreno que deem corpo a estas lições… E esta é uma primeira pista para a importância desta Coligação.

Porque aqui em Portugal é com alguma piada que oiço os “comentadores”, na sua esmagadora maioria cães de fila intelectuais do regime, a dizer “Porque é que não há Syriza em Portugal? Porque é que não há um Podemos?”. São cegos! Ou pior, estão deliberadamente a atirar areia para os olhos do povo. É que aqui em Portugal também o “centrão” recua (vamos ver resultado nas legislativas) e há forças fora do baralho a ganhar peso! Pensemos nas candidaturas independentes às autárquicas, no Marinho e Pinto, no Livre, no reforço do PCP e resistência do Bloco… Aliás, estas são das eleições com maior número de listas candidatas (creio que 19 no total) e é muito provável que tenhamos o parlamento com maior número de forças partidárias representadas de todo o sempre. A grande diferença entre Portugal e outros locais é que aqui ainda não há um único foco polarizador que concentre todo o descontentamento e vontade de mudança.

Ora é neste contexto que a Coligação AGIR-PTP-MAS é fundamental. É fundamental que no meio deste descontentamento ainda difuso exista uma força consequente há esquerda que se faça ouvir e ganhe visibilidade.

Uma Esquerda não rendida a esta Europa que tritura os seus povos e a democracia. Uma Esquerda diferente de um Livre e do seu líder Rui Tavares, obediente servo do eixo Bruxelas-Frankfurt que se candidata agora para mordomo do Costa.

Uma esquerda que fale sem papas na língua e de forma radical contra o saque levado a cabo pela oligarquia, que em Portugal é feito muito às custas das famigeradas Parcerias Público Privadas e privatizações.

Uma Esquerda que denuncie o “Arco da Corrupção” doa a quem doer! Que não seja como outros ao exemplo de Francisco Louçã, que crítica a corrupção quando ela vem da ala direita do “arco da corrupção”, mas depois faz defesas na diagonal a Sócrates e outros elementos do PS quando estes se vêm a contas com a justiça… É preciso denunciar a casta TODA não apenas uma facção dela!

Muito Importante camaradas, talvez para mim até o mais importante. Uma esquerda que não tem medo do povo nem da revolução! Porque nós sabemos que há na Esquerda quem tenha medo dos novos movimentos e das explosões de revolta das massas não tuteladas por um qualquer aparelho partidário ou institucional. É que para muita Esquerda essas coisas “terríveis” de que fala Humberto Eco são também estas revoltas populares não comandadas. Para lá da retórica contestatária, por vezes parece que certa Esquerda tem um enorme medo destes movimentos de massas e ainda mais que tais movimentos possam por em causa o atual regime… Nós pelo contrário sabemos bem que esses movimentos bruscos das massas são um elemento essencial para virar o jogo e iniciar o contra-ataque, mesmo tendo em conta todas as contradições inerentes a tal tipo de erupções… A nossa tarefa estratégica não é defender este regime e ficar a tremer de medo quando ele é abalado. A nossa tarefa é de construir um novo, dar uma alternativa substancial, logo radical, às amplas massas deserdadas pela Grande Crise económica em curso!

E isto não vai lá só com BEs da Marisa Matias que recentemente ergueu a cobardia como virtude na política, ou de uma Catarina Martins que elogiou o cinismo da Merkel face à situação dos refugiados. Isto não vai lá com Rui Tavares e outros “Livres” ao serviço de Bruxelas. Isto não vai lá só com um PCP, que é das autarquias aos sindicatos, um dos pilares do atual status quo em Portugal…

A Esquerda que não tem medo da fúria do povo tem de por o pé na porta! Tem de ter voz que se oiça e caras que se vejam! É por isso que eu estou aqui, é por isso que com todo o orgulho sou candidato por esta coligação!

Porque camaradas, isto da Crise não está resolvido, ainda muito vai acontecer. Em Portugal a reconfiguração do mapa político ainda está na sua alvorada, ora esta esquerda consequente e sem medo da revolução tem de ter uma palavra a dizer nestas reconfigurações. Esta é uma coligação que junta dois partidos estabelecidos, uma recente organização que tem a sua génese nos grandes protestos de 2012-2013 e que conta com uma figura pública mediática, a que se acrescentam ainda outros movimentos, associações e independentes. Será preciso mais? Claro! É isto fácil? Não! O próprio percurso desta coligação isso o demonstra. Mas chegamos até aqui e agora temos uma campanha com visibilidade, que está presente em todo o país. Mais, a simples existência desta Coligação AGIR-PTP-MAS por si só, é já um passo em frente na reconfiguração politica à Esquerda e um sinal do início do contra-ataque popular.

Camaradas, como diz a canção de José Mário Branco, “eu vim de longe”, nós vimos de muito longe… e podemos, devemos e temos de ir muito longe!

Coligação AGIR – PTP – MAS facebook, twitter, web

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